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Formiga: O Criador da Lambaeróbica e o Ícone Cultural de Porto Seguro

Nascido em Ilhéus, na Bahia, Romildo Santos Lima, mais conhecido como Formiga, carrega uma história de vida marcada pela superação e por uma profunda conexão com a cultura de Porto Seguro. Ele chegou à cidade em 1974, ainda criança, com sua família. Filho de Horário Pereira de Li

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Formiga: O Criador da Lambaeróbica e o Ícone Cultural de Porto Seguro

Nascido em Ilhéus, na Bahia, Romildo Santos Lima, mais conhecido como Formiga, carrega uma história de vida marcada pela superação e por uma profunda conexão com a cultura de Porto Seguro. Ele chegou à cidade em 1974, ainda criança, com sua família. Filho de Horário Pereira de Lima (in memoriam) e Valdeci Felipa dos Santos, Formiga foi o segundo mais novo de nove filhos. Perdeu o pai aos 11 anos e, com uma mãe sobrecarregada, aprendeu desde cedo a importância do trabalho para garantir o sustento da casa.

Seu primeiro emprego foi como auxiliar de açougueiro, onde entregava carne aos moradores da região, e foi nesse ambiente de trabalho que Formiga desenvolveu sua disciplina e resiliência, características que se tornariam essenciais em sua carreira. Em 1987, ele se formou em técnico de Administração, já que na época Porto Seguro não contava com faculdades. Após a formação, teve passagens pelo setor de Recursos Humanos na prefeitura e por estágios em contabilidade, até que passou a trabalhar como recepcionista na pousada Terral, administrada por Tati e Parraixo, filho do icônico Parracho, influente nome da região.

Durante sua juventude, Formiga foi selecionado para um projeto do Banco do Brasil que buscava alunos em situação financeira vulnerável e com bom desempenho escolar. Ele se destacou e começou a trabalhar como aprendiz na agência, realizando tarefas que iam desde buscar correspondências até organizar talões de cheque. Essa experiência foi fundamental, proporcionando-lhe valores como responsabilidade e compromisso.

A vida de Formiga começou a ganhar um novo rumo quando Parracho fundou a Rádio Difusora do Descobrimento (RDD). Para coordenar o projeto, trouxe do Rio de Janeiro o experiente diretor José Carlos, que se hospedava na pousada Terral, onde Formiga trabalhava. Os dois construíram uma amizade e, certa vez, José Carlos o convidou para conhecer o estúdio da rádio. Formiga ficou fascinado com o universo da comunicação e começou a atuar como operador de áudio, cuidando da execução de vinhetas, músicas e comerciais nos horários certos. Ele organizava vinis e trabalhava com diferentes formatos de áudio, aprendendo cada detalhe do que seria sua futura paixão profissional.

Na RDD, Formiga transitava entre diferentes programas, que variavam entre as manhãs e as madrugadas. Ele teve contato com locutores como Zé Arlindo e Nê Oliveira, passando a operar programas de música sertaneja, variedades, românticos e de shows. A experiência o tornou um profundo conhecedor da música e da arte de comunicar. Nos momentos de intervalo, ele aproveitava para registrar suas próprias locuções no estúdio B, fazendo gravações experimentais que abordavam temas diversos. Quando mostrou esse material a José Carlos, Formiga teve seu talento reconhecido pelo diretor, que se impressionou com suas habilidades.

Apesar do sucesso da rádio, dificuldades financeiras levaram ao seu fechamento. Sem desanimar, Formiga encontrou uma nova oportunidade na lambateria Boca da Barra, de Enivaldo Santiago. Ele começou como DJ, tocando músicas e coordenando o ambiente dançante. A lambateria, inicialmente modesta, logo se tornou um ponto de encontro popular. Formiga, com sua habilidade comunicativa, decidiu interagir com o público, cumprimentando os presentes e criando um ambiente acolhedor. Com o tempo, ele sugeriu a criação do “Cantinho do Formiga”, uma cabine de som de frente para a praia, onde podia se comunicar com a multidão e dar mais visibilidade ao seu trabalho.

Foi nessa época que ele teve a ideia do “refresco da lambada”, uma série de movimentos aeróbicos combinados com os passos da lambada, que mais tarde ele rebatizou o estilo como “Lambaeróbica” ao perceber o apelo dos movimentos aeróbicos junto à dança. A Lambaeróbica se tornou um fenômeno, conquistando admiradores em todo o Brasil e também no exterior. Embora Formiga nunca tenha registrado o nome, ele se orgulha profundamente de sua criação, que se tornou um marco cultural de Porto Seguro e ajudou a popularizar a cidade como referência para a lambada.

Para celebrar a lambada e a contribuição dos dançarinos que ajudaram a construir essa história, Formiga sugeriu a criação do “Dia do Lambadeiro”, comemorado em 22 de outubro. Todos os anos, a data reúne fãs da dança em Porto Seguro, em eventos que incluem maratonas de dança, competições e decorações temáticas. A festividade celebra a diversidade e a inclusão, valores que a lambada sempre representou para Formiga e para todos que a praticam.

Atualmente, Formiga permanece ativo no cenário da comunicação e da cultura. Ele apresenta um programa na TV Cultura de Porto Seguro, canal 33.1, onde continua a encantar o público com seu carisma e habilidade de conduzir uma audiência. Formiga é mais que um comunicador: é um ícone cultural, um símbolo de Porto Seguro e do Brasil, cuja trajetória continua a inspirar dançarinos, comunicadores e todos que encontram na lambada uma celebração da vida e da diversidade.

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