O encontro político que reunirá PL e União Brasil, marcado para o próximo dia 22 de dezembro, em Porto Seguro, já movimenta os bastidores antes mesmo de acontecer. Com presenças esperadas de ACM Neto, João Roma e do prefeito Jânio Natal, o evento se apresenta como um dos principais momentos de articulação da direita na região.
No entanto, uma ausência prevista tem chamado atenção e gerado questionamentos: Dra. Raíssa Soares, médica, ex-secretária municipal de Saúde e filiada ao PL, não aparece entre os nomes aguardados para o encontro.
A ausência chama ainda mais atenção pelo peso político da médica. Dra. Raíssa é a única liderança baiana da direita que declarou apoio público a Flávio Bolsonaro desde o início, sendo identificada como um dos principais nomes da vertente bolsonarista no estado. Nos últimos dias, em entrevistas concedidas ao Bahia.ba e ao BNews, foi direta ao afirmar:
“ACM Neto só ganha com o apoio bolsonarista.”
Segundo reportagem publicada hoje, 18 de dezembro, pelo próprio BNews, Dra. Raíssa é considerada um dos quadros com maior engajamento nas redes sociais dentro do campo da direita na Bahia, além de ser apontada como liderança política em ascensão. Ainda assim, até o momento, não há qualquer indicação de convite oficial para o encontro em Porto Seguro.
Diante disso, surgem perguntas inevitáveis nos bastidores:
Apenas lideranças homens da direita baiana participam desse tipo de articulação?
Por que Dra. Raíssa não participará do encontro?
Por ser uma mulher, independente politicamente e com base própria?
Houve falha de articulação ou uma decisão política deliberada?
Como uma liderança expressiva, do mesmo campo ideológico, fica fora de uma agenda estratégica — ainda mais em Porto Seguro?
Há quem levante outra hipótese mais sensível:
Seria reflexo do fato de a médica não ter se envolvido na reeleição do prefeito, que, naquele momento, fechou acordos políticos com MST e PT em Porto Seguro, algo publicamente incompatível com a postura bolsonarista de Dra. Raíssa?
Ou, no fim, pode ser algo ainda mais simples — e mais grave: desprezo político. Desconsideração por uma liderança que, apesar da simplicidade pessoal, apresenta números que incomodam.
Dados de pesquisas divulgadas pelo próprio BNews — veículo reconhecido na Bahia como de linha editorial à esquerda — indicam que Dra. Raíssa aparece empatada com Jaques Wagner em cenário para o Senado. Em simulações para o Governo do Estado, vai ao segundo turno e vence Jerônimo Rodrigues com mais de 12 pontos de vantagem.
Ou seja: não se trata de irrelevância política.
Em um cenário pré-eleitoral, gestos, convites e ausências também comunicam. Antes mesmo do evento acontecer, a não presença de Dra. Raíssa já provoca debates sobre alianças, espaço político, vaidades e estratégias em construção dentro da própria direita.
Até o momento, nenhuma explicação oficial foi divulgada sobre a ausência da médica no encontro marcado para o dia 22.
O silêncio, neste caso, fala alto.

